05 outubro, 2007
IMPACTO SOCIAL DA REFINARIA
Qualificação, exclusão social e a refinaria Otavio Moraes - Presidente do Grupo CEDEPE. A instalação da refinaria em nosso estado nos remete a reflexões sobre qualificação profissional, exclusão social, estudos sobre o impacto desse empreendimento e as maneiras de agir diante da nova realidade para obter vantagens. Temos excelentes escolas, mas ainda exportamos mão-de-obra em pequena quantidade. Há casos de pernambucanos que superaram desafios e estão dirigindo organizações em outros estados e países. Porém, de restaurantes às multinacionais, nota-se uma importação de mão-de-obra em grande quantidade, de certa forma predatória e com graves conseqüências em nosso meio social. Esta importação é cara, gera aumento de preços ou diminuição no lucro e tira da comunidade pernambucana as oportunidades de emprego, gerando a absorção da população em subempregos, na informalidade ou na marginalidade. Um empreendedor gaúcho, que abriu uma churrascaria em nossa capital, falou-me que, dentre dez funcionários, sete tiveram que ser "importados". Em seu negócio, ele ainda levou mais de um ano para qualificar novos funcionários. Outro executivo passou mais de quatro meses de recrutamento até conseguir preencher três vagas de gerente comercial para sua indústria. Observamos aqui um tipo de desemprego causado por falta de qualificação. Algumas vagas, muitos desempregados e uma excessiva falta de qualificação profissional. Sobre quem recai a responsabilidade sobre a educação? A família ainda tem a maior parcela dessa responsabilidade em conjunto com o governo, cuja função é gerir com competência esta variável de imenso impacto socioeconômico e político-cultural. A outra parte desta responsabilidade cai sobre as empresas e ainda uma outra cai sobre o indivíduo, que subtrai de seu orçamento valores alocados para lazer e saúde a fim de conseguir aumentar o seu nível de empregabilidade com cursos de qualificação. Qual futuro podemos projetar para famílias com recursos escassos, governos com pouca eficácia na gestão educacional, empresas com cortes nas verbas de treinamento, indivíduos que não investem na sua própria educação? Eles preferem gastar em barzinhos e em lazer a estudar ou ainda preferem filar e matar aulas a estudar a sério. Sem contar no futuro de algumas escolas com professores mal preparados, formando diplomados incompetentes e alunos de ensino médio que mal sabem escrever. Em nosso projeto de vida para 2006, devemos inserir alguns itens que possam contribuir para o nosso desenvolvimento. Gestores de educação devem melhorar seus programas de ensino, tornando-os mais eficazes e pragmáticos; professores devem estudar um pouco mais sobre o que ensinam e ensinar melhor; políticos devem melhorar a política de ensino, tornando-a mais profissionalizante; empresários devem aumentar a verba de treinamento; estudantes devem investir mais na qualificação e dedicar-se com mais afinco ao estudo. De minha parte, estou proferindo palestras sobre o tema e agi buscando o apoio de renomados professores e de consultorias. Minha idéia é inserir em nosso núcleo de pesquisa um estudo envolvendo a temática deste artigo,pois acredito que somente a educação pode mudar o nosso futuro!
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